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Mais um caso de violência envolvendo religião

Infelizmente o que eu venho dizendo há muito tempo está ficando cada vez mais comum. A intolerância religiosa, por parte principalmente de membros de igrejas neo-pentecostais, a cada dia cresce mais. Antes os ataques a pessoas de ideologias religiosas diferentes era basicamente na base do insulto e preconceito velado, agora estão usando a violência física. Esta nota de repúdio que transcrevo abaixo foi feita pela Casa de Oxumarê e postada em sua página no Facebook,  após um caso de agressão por intolerância religiosa em uma escola de Curitiba. A garotas Agnes, participante do Candomblé, foi agredida na escola por seus colegas de sala, devido a ela, nas palavras deles, ser "macumbeira." Agnes, nós budistas estamos do seu lado e não aceitamos tais atitudes vindas de imbecis que nem merecem serem chamados de humanos.  Link   da matéria.  Nota de Repúdio A Casa de Oxumarê repudia com veemência os ataques lançados contra todos aqueles que professa...

Adhimutta Thera e os ladrões

No livro Mindfulness, Bliss, and Beyond, Ajaan Brahmavamso emprega os versos abaixo para ilustrar o grau de desapego da mente de um arahant. Ajaan Brahm diz, "o arahant tendo destruído todas as percepções de um eu não sente necessidade de ser popular. As suas mentes estão livres da necessidade de impressionar os outros. Tampouco eles experimentarão o medo, visto que não têm nada a perder. Os versos abaixo descrevem um desses destemidos, o arahant Adhimutta Thera num diálogo com alguns ladrões." Os ladrões: "Aqueles que sacrificamos, ou roubamos suas riquezas contra a sua vontade, todos estremeceram, balbuciando com medo." "Mas você nem parece estar com medo, com sua complexão brilhante; sereno e calmo, você não se lamenta quando confrontado com o maior perigo, a morte. " Adhimutta: "Não há sofrimento na mente quando a cobiça foi deixada para trás;  e realmente, Chefe, todos os med...

Desapego

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Deixe ir... "A floresta é pacífica, por que você não é? Você segura as coisas causando sua confusão. Deixe a natureza lhe ensinar. Ouça a canção do pássaro, em seguida, deixe ir." Ajahn Chah 

As razões para a Preguiça e para o Estímulo da Energia

Muito útil para nossos dias atuais, em que muitas vezes estamos completamente absortos nas tarefas do cotidiano que nos falta tempo e energia para a prática da meditação.  Essas desculpas para adiar a sua meditação soam familiares: "Estou com muita fome!"; "Estou muito cheio!"; "Estou muito cansado!"; "Estou muito enfermo!" ? Aqui o Buda oferece conselhos sadios de como superar esse tipo de preguiça. Resumindo o sutta, tudo depende do nosso esforço, nada se resolve com passes de mágica.    Anguttara Nikaya VIII.80 Kusita-Arabbhavatthu Sutta As razões para a Preguiça e para o Estímulo da Energia "Bhikkhus, existem essas oito razões para a preguiça. Quais oito? "Existe o caso em que um bhikkhu tem algum trabalho a ser feito. O pensamento lhe ocorre: 'Eu terei que fazer este trabalho. Porém quando tiver feito este trabalho, meu corpo estará cansado. Por que não me deito?' Então ele se deita. Ele não faz um esforç...

Meditando sobre a Primeira Nobre Verdade

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Têm sido muito útil pra mim nos últimos dias. É interessante como uma visão com sabedoria, equanimidade e aceitação da dor como algo inerente a vida, são capazes de acalmar a mente e trazer até mesmo um sorriso diante dos problemas.  Paremos de achar que somos especiais e não merecemos sofrer. O sofrimento e a inquietação são comuns a todos os seres.  Uma vez nascidos, estamos todos sujeitos a dor, lamentação, angústia, desespero, doença e morte, e a única saída para o fim dos renascimentos é a iluminação. Ajahn Chah  (direita) e Ajahn Sumedho "Na Primeira Nobre Verdade, o Buda proclamou que há dukkha (sofrimento). Ele está inserido no contexto de uma "Nobre Verdade" em vez de uma triste realidade. Se olharmos para ele como uma triste realidade, o que acontece? "A vida é apenas sofrimento, tudo é apenas sofrimento. Você fica velho, você fica doente, e depois morre. Você acaba por perder todos os seus amigos..." Isso não é uma Nobre Verdade. Vo...

As outras religiões e o Budismo

Vale a pena a leitura deste exclarecedor texto.  Autor:  Arya Dharmananda, P. Arcebispo Arya Dharmananda, Eu acompanho seu blog há um bom tempo e, apesar de não ser budista (sou cristão), admiro muito seu estilo direto, claro e lógico. Não sei onde podem achar um ponto menos correto em suas exposições do ponto de vista budista. O senhor sempre demonstra tudo com muita clareza, com bases e inclusive, demonstra um profundo conhecimento de outras religiões.Eu mesmo já aprendi muito da minha própria religião lendo seu blog e já recomendei a outros cristãos como eu que o lessem. Minha pergunta ao sr. é a seguinte: Como se dá a relação de respeito entre budistas e outras religiões, como a cristã, sem cair nas misturas e no ecumenismo barato que o sr. condena (e eu concordo plenamente)? Desde já agradeço! R. Prezado sr. XXX, Agradeço seu gentil e-mail. O sábio Nagarjuna, em seu "Tratado da Grande Sabedoria/大智度論" diz que toda palavra verdadeira, aind...

Criar méritos

Nas várias escolas budistas, muito se fala de criar méritos, cultivar méritos, acumular méritos... Enfim, engajar-se em ações meritórias. Mas o que isso quer dizer? O Buda explicava: "Esta é outra maneira de se falar sobre o que é venturoso, bem-quisto, deleitoso, admirável e belo: ações meritórias" (Iti 22). O que é e para quê serve?  A expressão "Ação Meritória", puṇya em sânscrito e puñña em pali, pode ser traduzida como "aquilo que é bom, justo, agradável, auspicioso, benéfico, puro, apropriado". Em chinês, Gōng dé (功德), pode ser lido também como "ação virtuosa e poder auspicioso". Assim, quando falamos de "mérito" nos referimos a uma energia positiva e saudável, que é gerada mesmo nas mais pequenas ações e intenções benfazejas. Essa boa energia ampara a prática espiritual, nutre nossas virtudes e qualidades, e impulsiona na realização de todas nossas aspirações. O Buda compara os méritos com parentes que nos amparam...